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O desafio enfrentado hoje pelas transportadoras brasileiras supera a oferta de tecnologias. Parece ironia, mas, de acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Brasil possui uma malha rodoviária de 1.584.402 quilômetros, sendo apenas 220.378 deles pavimentados. O fluxo de caminhões é de 2.414.721 veículos, sendo 507.646 cavalos mecânicos, 995.094 reboques e 742.614 semirreboques. Os números deixam claro que nossa malha viária é de baixa qualidade e não vai ao encontro das necessidades logísticas de um país com dimensões continentais.

Ainda não é possível atender às exigências dos compradores externos se a ineficácia do modal rodoviário faz exportadores perder prazos e mercadorias pela degradação e pelo desperdício durante o transporte. Um estudo realizado pela consultoria de negócios Bain & Company aponta que o Brasil precisaria de 21.000 quilômetros de autoestradas para aumentar a integração nacional e melhorar a mobilidade rodoviária.

O investimento necessário seria de até 250 bilhões de reais, afirmou um dos autores do estudo, Fernando Martins. O programa poderia ser executado no período de seis a oito anos – sem considerar possíveis atrasos de licenciamento, desapropriação e execução de obras – e impulsionaria o crescimento do PIB brasileiro em até 1,25% ao ano.

Além da precariedade dos sistemas viários, as empresas logísticas também são penalizadas. “O Brasil castiga muito as empresas que aqui se instalam. Se 99% dos empresários brasileiros vendessem o patrimônio e colocassem o dinheiro no banco, ganhariam mais do que fomentando a economia nacional”, desabafa Antonio Leite, da Primax.

A garra das empresas logísticas, segundo ele, é essencial para que país continue crescendo, mesmo com a precariedade da infraestrutura. Empresas possuem frota com centenas de caminhões bitrens e investem milhões em implementos rodoviários, que acabam sendo atolados nas mal-acabadas ou destruídas vias da malha rodoviária.

O fardo paulista

O estado de São Paulo paga uma conta alta pelo país por ter as rodovias em melhor estado, e quase todas pedagiadas. A soja produzida no estado do Mato Grosso, por exemplo, que poderia ser transportada por trem, caso o modal ferroviário realmente atendesse às necessidades para desafogar as estradas, hoje é praticamente estocada nos caminhões, que servem de depósitos sobre rodas.

“Os caminhões que armazenam essa carga acabam quebrando nas estradas, congestionam as rodovias e as vias de acesso ao porto, os motoristas não têm onde comer, tomar banho, nem podem se ausentar dos veículos, e o caos na mobilidade urbana está feito”, relata o diretor da Primax.

“Contudo, somos um país com indústria pujante, mesmo diante de uma política tributária que desincentiva. Se ela fosse nossa aliada, o Brasil seria um país de primeiro mundo. A estrutura das empresas é infinitamente mais eficiente que as vias de transporte e, mesmo com todas essas dificuldades, as transportadoras se desdobram para atender aos prazos”, observa.

Implementos

O setor de implementos rodoviários é um dos que mais vêm se destacando na indústria de equipamentos. De acordo com Alcides Braga, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), a previsão é de crescimento entre 5% e 6%, conforme o aumento na quantidade de emplacamentos de reboques, semirreboques e carrocerias sobre chassis.

Os números são otimistas em relação aos dados anteriores, apresentados pela associação no começo do ano passado, em que apenas cinco dos quinze tipos de reboque e semirreboque emplacados nos dois últimos anos tiveram crescimento em 2012 em comparação com o ano anterior. “Foram as famílias de implementos Carrega Tudo, Dolly, Transporte de Toras, Baú Frigorífico e Tanque Alumínio”, diz Braga. No geral, o setor havia recuado 11,60%. As carrocerias sobre chassis, igualmente, registraram queda de 17,90% no período citado.

De acordo com Braga, bons resultados foram alcançados no ano passado graças às quedas nas taxas pelo BNDES, conforme o Programa de Sustentação do Investimento do Governo Federal (PSI), que provocaram reações positivas das empresas do mercado e estimularam compras. “Embora alguns setores da economia tenham caído, o nosso cresceu. O ano está sendo previsível e possibilitou direcionar os investimentos para trabalharmos de maneira linear, sem os tradicionais solavancos que melhoram ou pioram as ações comerciais”, diz ele.

Para 2014, ainda segundo o executivo, as expectativas continuarão interessantes devido à prorrogação do PSI. “O mercado também comemora mudanças expressivas, ano após ano, na área de qualidade e desenvolvimento tecnológico dos produtos, com novas matérias-primas, pinturas, etc.”, informa.

O segmento de implementos rodoviários conta com mais de 1.355 empresas e tem capacidade de produção de 215.000 unidades por ano, gerando cerca de 710.000 empregos diretos e indiretos. Para se ter uma ideia, 60% de toda a carga brasileira é transportada em implementos.

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